Bienal SESC de Dança 2017

Entre 14 e 24 de Setembro a 10ª edição da Bienal SESC de Dança ocupa o SESC Campinas e outras áreas da cidade com um conjunto de 65 atividades ligadas à Dança Contemporânea. Essa é a segunda edição realizada em Campinas: a mudança foi feita para a Bienal de 2015, que, até então, era realizada no SESC Santos. A mudança de casa foi motivada por uma intenção de parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que abriga a graduação em dança mais antiga do estado, além de refletir uma proposta de descentralização (o SESC Santos também abriga o Mirada — Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, que teve sua 4ª edição em 2016).

Com um declarado interesse de se espalhar pela cidade, as atividades da Bienal de Dança ocupam mais de 20 espaços, entre aqueles do SESC (teatro, galpão, ginásio, biblioteca e outros), da Unicamp (A Casa do Lago, o Marco Zero, e a CIS-Guanabara) e da cidade de Campinas (Teatro Castro Mendes, Museu de Imagem e Som, Terminal Rodoviário, entre outros), e conta com uma pequena Extensão para a capital paulista, com alguns espetáculos sendo apresentados em unidades paulistanas do SESC.

Reunidos em 24 de Agosto para o lançamento da programação, os curadores do evento — Claudia Garcia, Wagner Schwartz, Fabricio Floro e Claudia Müller — apresentaram as atividades escolhidas a partir do número recorde de 799 inscrições de 32 países, dentre as quais foram selecionadas as obras, propostas e indivíduos que participarão dessa edição. Sem um tema anteriormente colocado para a seleção, os curadores buscaram um recorte a partir das potencialidades das obras e dos diálogos possíveis, entre elas, mas também entre as obras e os espaços da cidade de campinas.

Mesmo sem um tema declarado, as obras selecionadas acabam evidenciando uma discussão de crise política, de resistência, e de afirmação da arte e de seus sujeitos — opinião que foi reiterada pelo próprio diretor regional do SESC em São Paulo, Danilo Miranda, no lançamento do evento, que vê na Bienal um papel fundamental de mostrar e  de realizar uma luta através da arte e da cultura.

Falando da ocupação da Bienal pela cidade de campinas, o Secretário de Cultura Ney Carrasco destacou a importância da retomada artística das ruas da cidade, e comentou uma característica da capilaridade da dança de Campinas, que vê como um centro de formação de artistas, os quais frequentemente acabam saindo da cidade para trabalhar e produzir arte. Nesse sentido, a cidade recebe a Bienal fortalecendo um triângulo de parceria dedicado à cultura: SESC / Unicamp / Secretaria de Cultura.

Representando a Pró-Reitoria de Extensão da Unicamp, a professora Veronica Fabrini, do Instituto de Artes, destacou o potencial de transcendência da arte da dança, e um desejo de que a Bienal permita ao público sentir a cidade como um grande corpo dançante.

Convivência e Resistência foram palavras chaves na apresentação do evento e se mostram ao longo de sua programação, que inclui alguns trabalhos notáveis da safra recente da dança Brasileira, como “Para Que o Céu Não Caia”, da Lia Rodrigues Companhia de Danças, “Protocolo Elefante” do Grupo Cena 11, e “Ó” de Cristian Duarte, mas também reserva espaço para criadores novos e também locais.

Pela primeira vez no Brasil, “Do Desejo de Horizontes”, coreografada por Salia Sanou, de Burquina Faso, faz a abertura da Bienal. Outros destaques da programação incluem as estréias do italiano Alessandreo Sciarroni, da companhia uruguaia Gen Danza, e do japonês Takawo Kawaguchi, enquanto as estreias nacionais incluem Marcelo Evelin, Eduardo Fukushima e Sheila Ribeiro, entre outros.

A abertura da programação será seguida de um evento de Celebração, pertencente a uma outra categoria incluída nessa Bienal, que propõe atividades de encontro para públicos e artistas, além da contínua gravação em um set de filmagem criado na área de convivência do SESC da BDT (Bienal Dance Television). Além dos numerosos espetáculos (alguns deles voltados ao público infantil), completam o panorama de atividades, abertas para artistas e para público em geral, performances, instalações, mostras de filmes, conversas com artistas, mesas de discussão, lançamento de livros, residências artísticas, oficinas e workshops.

Durante o evento, o site da Bienal se transformará num hub de notícias e críticas sobre as atividades, permitindo seu acompanhamento e continuidade de suas discussões. Por enquanto, nele já se encontra a programação detalhada do evento, um link para o download do guia de bolso, e as informações sobre os ingressos para as obras, o acesso aos espaços da Bienal, e também outras informações sobre a cidade que a recebe, com indicações de transporte, locais de alimentação, passeios, e sugestões de atividades noturnas.

 

Programação de ESPETÁCULOS, em ordem de apresentação:

DO DESEJO DE HORIZINTES (Du Désir d’Horizons) | Salia Sanou (Burkina Faso)

FLESHION [aparências] | Thelma Bonavita (São Paulo/ Brasil e Alemanha)

VIAGEM A UMA PLANÍCIE ENRUGADA | Gustavo Ciríaco (Rio de Janeiro/ Brasil e Uruguai)

ALLA PRIMA | Tiago Cadete (Rio de Janeiro/ Brasil e Portugal)

DANÇA DOENTE | Marcelo Evelin (Piauí/ Brasil)

GENTILEZA DE UM GIGANTE | Gustavo Ciríaco (Rio de Janeiro/ Brasil e Portugal)

TUDO JUNTO (Todo Junto) | Juan Onofri Barbato (Argentina)

COMPOSIÇÃO PARA ESCULTURAS E UM CORPO | Néle Azevedo e Marina Tenório (São Paulo/ Brasil)

BIG BANG | Gen Danza (Uruguai)

CAMPEONATO INTERDRAG DE GAYMADA | Coletivo Toda Deseo (Minas Gerais/ Brasil)

MÁQUINA DE DESENHAR | Michel Groisman (Rio de Janeiro/ Brasil)

SOBRE KAZUO OHNO (About Kazuo Ohno) | Takao Kawaguchi (Japão)

PÃO COM LINGUIÇA | Entretantas (Brasil e França)

Ó | Cristian Duarte (São Paulo/ Brasil e Alemanha)

FOLKSVOCÊ AINDA ME AMARÁ AMANHÃ? (Will you steal love me tomorrow?) | Alessandro Sciarroni (Itália)

BOCA DE FERRO | Marcela Levi e Lucía Russo (São Paulo/ Brasil e Argentina)

TÍTULO EM SUSPENSÃO | Eduardo Fukushima (São Paulo/ Brasil)

FIO DO MEIO | Cia Gente (Rio de Janeiro/ Brasil)

SOLIDÃO PÚBLICA | Adilso Machado (Santa Catarina/ Brasil)

COREOGRAFIA ESTUDO#1 | Michelle Moura (Paraná/ Brasil)

BANANAS | Núcleo Artérias (São Paulo/ Brasil)

RASHA SHOW | Izabelle Frota, Cleyde Silva, Yang Dallas (Piauí/ Brasil)

CODEX MUNDO ALGODÃO | Sheila Ribeiro/Alejandro Ahmed/Tom Monteiro (São Paulo/ Brasil)

PARA QUE O CÉU NÃO CAIA | Lia Rodrigues Companhia de Danças (Rio de Janeiro/ Brasil)

PROTESTO | Núcleo Artérias (São Paulo/ Brasil)

O SAMBA DO CRIOULO DOIDO | Luiz de Abreu (Minas Gerais/ Brasil)

CORREDEIRA | Kanzelumuka (São Paulo/ Brasil)

ALEX NO PAÍS DO LIXÃO (Alex aux pays des poubelles) | Maria Clara Villa Lobos (Bélgica)

PROTOCOLO ELEFANTE Grupo Cena 11 Cia de Dança (Santa Catarina/ Brasil)

O LAGO DAS BICICLETAS | Francisco Lima Pekeno, João Rafael Neto e Luiz de Abreu (São Paulo/ Brasil)

 Bienal

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