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Em reunião no dia 6 de novembro, a Comissão de Dança da APCA selecionou os indicados do segundo semestre de 2017 em seis das sete categorias que serão premiadas ao final do ano.

Indicados do segundo semestre, em ordem alfabética, por categoria:

 

ESPETÁCULO / ESTREIA

Chulos”, Dual Cena Contemporânea

Gira”, Grupo Corpo

Riso”, key zetta e cia.

 

ESPETÁCULO / NÃO ESTREIA

A Metamorfose”, Cia Carne Agonizante

Kuarup ou A Questão do Índio”, Ballet Stagium

O Que Se Rouba”, Grupo Zumb.boys

 

COREOGRAFIA / CRIAÇÃO

Gira”, Coreografia de Rodrigo Pederneiras, Grupo Corpo

Monstra”, Direção de Elisabete Finger e Manuela Eichner

1001 Platôs”, Direção Coreográfica de Maura Baiocchi, Taanteatro

 

INTERPRETAÇÃO

Beatriz Sano, por “Estudo de Ficção”

Eduardo Fukushima, por “Oxóssi – com/para Denilto Gomes

Volmir Cordeiro, por “Céu”

 

PRÊMIO TÉCNICO

Hideki Matsuka, pela Direção de Arte dos trabalhos de 2017 da key zetta e cia.

Jacqueline Motta, Fernanda Cavalcanti e José Ramos, Ensaiadores de “Cão Sem Plumas”, Companhia de Dança Deborah Colker

Metá Metá, pela Trilha Sonora de “Gira”, Grupo Corpo

 

PROJETO / PROGRAMA / DIFUSÃO / MEMÓRIA

Bienal Sesc de Dança 2017, Sesc

Ruth Rachou 90 Anos, Museu da Dança

II Encontro de Mulheres Negras na Dança, Nave Gris Cia Cênica

 

VOTARAM: Amanda Queirós, Ana Francisca Ponzio, Cássia Navas, Henrique Rochelle, Iara Biderman, Renata Xavier, Simone Alcântara e Yaskara Manzini

 

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“Escombros em doses homeopáticas (‘Título em Suspensão’)”, escrita para o Criticatividade

 

Quais os tempos da Bienal? Quantos tempos tem a Bienal? — são as perguntas que chegam, quando alcançamos a metade da programação da Bienal SESC de Dança 2017. Por que esse predomínio de obras arrastadas e lentas? “Título em Suspensão”, de Eduardo Fukushima, não é uma excessão ao que já parece ser regra nessa programação. Na obra, não apenas o título do bailarino está em suspensão, mas também seu tempo. Como nisso se encaixam o corpo e a dança?

Numa sala sem nenhuma decoração, somos convidados a sentar no chão, em volta de Fukushima, que, concentrado, parece meditar olhando para o vazio. Não tivéssemos, a esse ponto, já passado pelo percurso da Bienal, talvez pudéssemos apreciar mais a proposta. Não estivéssemos saturados de obras perturbadoramente semelhantes, talvez pudéssemos observar com olhos mais atentos e disponíveis as qualidades desse corpo.

Em si, a obra carrega uma semelhança não só com seus pares na programação, mas com a obra anterior de Fukushima, “Oxóssi”, que estreiou no CCSP Semanas de Dança 2017. Pouco tempo separa as obras, e, certamente, sua criação foi simultânea, o que explica tamanha contaminação entre elas.

Aqui também revemos certas posições de caça e de atenção. Aqui também encontramos um olhar para dentro do próprio corpo, porém, numa estrutura que parece estender ao público esse convite. Mas a obra tem dificuldade de fazer algo além disso. Nivelados com o bailarino, nem mesmo podemos vê-lo o tempo todo. O que poderia ser um aspecto de comunidade, de ritual, com o público sentado em círculo, rapidamente se desarruma com as pessoas se movimentando pela sala — seja para poder ver o bailarino, seja porque é simplesmente desconfortável a situação.

Há interesse quando ele pode ser visto, sobretudo no momento em que a paisagem sonora se desenvolve, e os sons dominam o espaço como se um mundo ruísse a nossa volta. Porém, esse efeito não se replica tanto no restante da obra, sobretudo na coreografia, que trabalha uma pesquisa limitada ao chão e ao peso.

Em meio às ruínas, estamos em escombros. Mas são escombros de quê? É notável o tom meditativo, contemplativo, mas o que é que é contemplado ali? O principal exemplo do problema da obra é o convite a um círculo de meditação ao redor de uma pequena pedra — que, aliás, é pouco recebido pela plateia, ainda que tenha alguma possibilidade de conexão propositiva com os escombros.

De repente, o bailarino está novamente ali parado, frente a essa pedra. Seria esse o final da obra, ou apenas mais um momento parado, letárgico de sua duração? Grande parte do público tomou como final, ou, pelo menos, como um motivo para sair do espaço. Outros ficaram para ver o que aconteceria. Nada. O intérprete permanecerá encarando a pedra até o público se ausentar — e, talvez, para além disso. O exercício aqui não nos diz respeito. Trata do interior, com pouco convite — real — de entrada ou possibilidade de acesso.

A reflexão da desproporção, entre a sonoridade dos escombros e aquilo que deles restam — o pedregulho tristonho — se desdobra para o próprio evento, que alterna grandes efeitos e pequenos resultados: uma Bienal para se ver em doses homeopáticas, sob risco de perdermos o foco, o interesse, a atenção, e debandarmos para o tédio.

 

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Eduardo Fukushima

Três partes — bem distintas — compõem a apresentação da obra de abertura do CCSP Semanas de Dança 2017. Com a edição homenageando Denilto Gomes, a curadoria de dança do CCSP convidou Eduardo Fukushima para a criação de um solo, ao qual o bailarino deu o nome de “Oxóssi”, fazendo referência a um reconhecido trabalho de Denilto.

Antes da obra, a exibição de trecho do documentário “Da Percepção à Memória”, com entrevistas que nos falam de Denilto e suas características enquanto intérprete. Nas falas, ele é retratado como um bailarino de movimento expressivo, individual, reconhecido por grandes saltos, grandes braços, e por fazer poesia a partir do que chamam de uma “junção do improvável”. Na coreografia, quase nada disso nos chega.

Essa estrutura de abertura documental é até interessante, porque familiariza um público que talvez não conhecesse o homenageado com sua história e seu trabalho. Mais que isso, é fundamental: mesmo com as explicações, e as referências faladas e em vídeo, continua muito difícil ver o homenageado na obra apresentada.

Uma explicação possível para esse dificuldade talvez esteja no percurso da própria coreografia, que também é precedida por um longo discurso. Nele, o ponto principal não é Denilto nem de longe, mas uma observação do intérprete sobre sua preocupação com o rumo da nova curadoria de dança do CCSP.

Tendo sido convidado a este trabalho pela curadora anterior, Fukushima decide preceder sua obra por uma fala sobre o retrocesso da gestão cultural da cidade de São Paulo. Menciona que “Oxóssi” estava sendo “boicotada”, eliminada das divulgações do evento, por sua desaprovação pública e desentendimento com a atual curadoria, o que o bailarino qualifica como uma “irresponsabilidade com a verba pública”.

Passado esse momento de constrangimento para o público, o discurso continua para justificar a obra, que é apresentada como um trabalho que tem Denilto como referência, sem que ele nunca tenha sido conhecido ou visto pelo intérprete. Fica uma questão de como se instala a homenagem, especialmente depois da exibição de um documentário que se pauta na proximidade, nas experiências dos diversos depoentes com Denilto.

O que une o homenageado e o homenageador? Segundo Fukushima, Brasil, São Paulo, Japão, alguns amigos. É pouco. Mais que isso, uma passagem por “tempos difíceis”, uma “atração pelo inexplicável”, e uma “vontade de transformar a escuridão em gesto”. Poético e conceitual, sem dúvida, mas, se fosse de fato realizado na cena, não precisaria de seu discurso preparatório.

O discurso evoca que o trabalho de contato com a obra de Denilto, desenvolvido através de vídeos, aproxima o intérprete do Brasil. E pontua a pesquisa da representação da força mitológica de Oxóssi. Finalmente, com o público suficientemente preparado, mas reconhecidamente desviado do tópico de discussão, recebemos o pedido de fecharmos os olhos até que a obra comece — movimento quase compulsório para que se crie uma transição entre esses dois prólogos e a apresentação.

Com um pássaro na cabeça e duas lanças nas mãos, ao som de aves, Fukushima é o Oxóssi caçador, mas de uma grande delicadeza, sem extremos de virilidade, e notavelmente frágil. O movimento é lento, pesado, expressionista. As armas empunhadas são exibidas, num formato estranho de uma luta solo, coreografada, meditativa, que vai mais para dentro do intérprete do que para fora.

Assim tão pra dentro, esse Oxóssi não caça, não provê, não alimenta: ele reflete, ele se pensa. Num segundo momento, com um leque nas mãos, a delicadeza da estrutura proposta beira a feminilidade, num tom de elemental, cuja representação não está de fato construída para além de uma ambientação, e da referência conhecida — ainda que não claramente desenvolvida — de Oxóssi como orixá da floresta, das aves, da caça.

Em um instante a obra termina. Ou talvez não. Uma cena final, que talvez seja um agradecimento coreografado, é muito mal entendida pelo público, e fica entre o proposital e o acidental. Dentro dela, três ou quatro vezes o público aplaude, mas não em apreço ao que é apresentado, mas porque a obra parece ter terminado. A cada vez, os aplausos vão ficando menos calorosos, e, no entanto, essa é a parte mais dinâmica da obra, que de resto é arrastada, contida, meditativa — contrariamente aos comentários feitos, no documentário, sobre o homenageado.

A estrutura em si é difícil. Seria o resultado de uma parceria de desentendimentos, como os muito pontuados e bradados antes do início do espetáculo? Ou a proposta é simplesmente problemática? Talvez Brasil – São Paulo – Japão não fossem o suficiente para construir uma referência compreensível. Talvez fosse necessário alguma proximidade maior: observe-se que o documentário parte de fontes próximas e intensas, de pessoas que conviveram e acompanharam Denilto, enquanto a homenagem coreográfica se situa sobretudo num eixo — raso — de três lugares.

O resultado é confuso. As introduções são maiores do que a obra. O discurso é maior e mais importante do que sua realização. Essa é a abertura do evento, e ao mesmo tempo ele não parece aberto, e vem pautado de um debate declaradamente contrário a alguns dos envolvidos em sua realização. Essa é a abertura do evento e, no entanto, a apresentação se descreve como boicotada. Curioso reflexo artístico de um momento da cultura paulistana, enquanto obra é um problema ao abrir os trabalhos de um evento que, em sua edição passada, foi notável — e notavelmente reconhecido — e para o qual esse preâmbulo cria poucas expectativas.

 

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A Comissão Dança da APCA divulga os indicados do primeiro semestre de 2017 em seis das categorias que serão premiadas ao final do ano, quando também será revelado o ganhador do Grande Prêmio da Crítica — para a qual não será publicada lista de indicações. Em novembro, serão apresentados os indicados selecionados ao longo do segundo semestre.

Indicados, em ordem alfabética, por categoria:

 

ESPETÁCULO / ESTREIA

Guarde-me”, Márcia Milhazes Companhia de Dança

Obrigado Por Vir”, Key Zetta & Cia. + Convidados

Peças Fáceis — Plataforma Sonorocoreográfica”, Grupo Pró-Posição

 

ESPETÁCULO / NÃO ESTREIA

Cacti, Balé da Cidade de São Paulo

Entre Contenções”, Eduardo Fukushima

Novos Ventos, Raça Cia de Dança

 

COREOGRAFIA / CRIAÇÃO

EU Por Detrás de MIM, Concepção Coreográfica de Ana Bottosso, Companhia de Danças de Diadema

Para que o Céu Não Caia, Criação de Lia Rodrigues, Lia Rodrigues Companhia de Danças

Primavera Fria, Coreografia de Clébio Oliveira, São Paulo Companhia de Dança

 

INTERPRETAÇÃO

Ana Paula Camargo e André Grippi, São Paulo Companhia de Dança, por “14’20””

Luis Arrieta, por “Os Corvos”

Mariana Muniz, por “Fados e Outros Afins”

 

PRÊMIO TÉCNICO

Aline Santini, pelo Desenho de Luz de “Shine”, Cia. Perversos Polimorfos

André Mehmari, pela Música de “H.U.L.D.A.”, Cisne Negro Cia. de Dança

Luis Gustavo Petri, pela Música de “Risco”, Balé da Cidade de São Paulo

 

PROJETO / PROGRAMA / DIFUSÃO / MEMÓRIA

ABCDança 2017, Associação Projeto Brasileiro de Dança

Programação de Dança do Teatro Sérgio Cardoso, APAA / Secretaria do Estado da Cultura

VIII Circuito Vozes do Corpo, Cia. Sansacroma

 

VOTARAM: Amanda Queirós, Ana Francisca Ponzio, Cássia Navas, Henrique Rochelle, Iara Biderman, Renata Xavier, Simone Alcântara e Yaskara Manzini

 

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